Rosa Lobato de Faria em poema. Para sempre!

 
 
Quem me quiser há-de saber as conchas
a cantiga dos buzios e do mar.
Quem me quiser há-de saber as ondas
e a verde tentação de naufragar.
 
Quem me quiser há-de saber as fontes,
a laranjeira em flor, a cor do feno,
a saudade lilás que há nos poentes,
o cheiro de maçãs que há no inverno.
 
Quem me quiser há-de saber a chuva
que põe colares de pérolas nos ombros
há-de saber os beijos e as uvas
há-de saber as asas eos pombos.
 
Quem me quiser há-de saber os medos
que passam nos abismos infinitos
a nudez clamorosa dos meus dedos
o salmo penitente dos meus gritos.
 
Quem me quiser há-de saber a espuma
em que sou turbilhão, subitamente
– Ou então não saber coisa nenhuma
e embalar-me ao peito, simplesmente.
 
Autor: Rosa Lobato de Faria (1932-2010)

1 comentário a “Rosa Lobato de Faria em poema. Para sempre!”

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